terça-feira, 17 de novembro de 2015

35

Sin.di.cân.ci:a.sf. 1. Investigação de algo que a princípio não configure crime e sim uma transgressão ou desvio de conduta que ao final o encarregado pode dar o parecer pelo arquivamento diferente do inquérito que só pode pedir arquivamento o titular da denúncia, ou seja,
como um beijo no rosto
me veio, me vi, vi vida
eu amo quem eu idolatro
eu idolatro quem eu amo
descobri foi nesses dias
dos filhos que não tive,
a dor cruel da ilusão em parto
partiu ao meio

de tanto "eu" que falo.
Chega dá enjoo -
infelizmente fui das únicas
que não soube se lançar em voo.
Mas a cada caminhada
pés sempre sujos de areia
a cada nova conversa -
não terminada,
me refaço em rios
a tremedeira some
acompanho a bubuia
tão leve como um sopro
um vento salgado que em meus cabelos,
toca.
Correnteza,
me desfaço em calmaria.
A cada dia, daqueles pesados nas (corre)ria
tenho noites de fé
luzes
Sonhos longe de falsa burguesia...
e claro também à classe dominante!
Amores salgados de maresia
longe de qualquer ataque fulminante.

34

Balanço minhas tranças
me deito na rede
peço um sossego -
abro minhas portas.
O que dói seca, 
como sertão.
A seca se instala
no que nos incha o ser -
nordestinos de fogo
madeirite rosa.
Pinto minhas paredes
dou um trato na casa
casa com cheiro de manga
manga madura quase podre
doce na boca,
escorre pelo canto da alma -
suculenta, 
essa vida sem fim
que anoitece sempre
sem fuga
sem direito a mão armada - 
o frevo se acalma...
tiro meu bloco de rua
me achego num cangote
num peito, 
num amor num filho num parto
no que daqui a pouco azedará
no que esquenta, derrete
fogão de lenha -
ilusão de sol ao meio-dia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

33

"Então procurei, pelo teu cheiro nas ruas que andei, nos corpos dos homens que amei... Tentando em vão te encontrar".
Uma música que sabe como rasgar
um beijo que sabe como queimar
olhos que por si só sabem trepar
porque quem vive
dá pra vida
dá sem dó, sem pena, sem medo
sem (pu)dor.
e eu cansei de me pedirem pra falar baixo
amenizar os devaneios
por uma simples questão
de educação
de não chamar atenção
essas conversas
tão previsíveis 
que não prendem minha atenção
essas pessoas que 
tão desesperadas
imploram entre olhares 
que eu me importe
mas todos sabem que não me importo
e quando então percebem isso
me jogam baldes e baldes do lixo
da vergonha e do pudor
fazem suas melhores caras de 
eu tenho pena de você
mas todos esqueceriam o despeito
o orgulho
apenas com minha mão a puxar outra mão
pra um beco escuro
uma rua deserta
um fim de festa sujo e cheio do vazio
que as pessoas deixaram
quando se tocaram que quase nada iria mudar.
Melhor ilusão é a de achar que o mundo muda
quando nossa cabeça tá girando
depois de mandar pra mente
ou tomar mais outra dose do que ainda
vai nos matar.
Eu não amo minha vida,
mas sou completamente apaixonada por ela
os contatos com outros mundos
são os incontáveis delírios que me formam
desde quando abro o olho e me surpreendo
até o momento que fecho e piso em qualquer expectativa
de respirar
não preciso de expectativas, basta minha fé
e o que é meu por direito.
Fazer o quê?
eu gosto de fumar droga
gosto de esquentar meu corpo
ahh, como eu gosto
gosto de me drogar do outro,
mas não de vários
porque cada corpo é formado de tanto mundo
tanto chão pra pisar
tantas sementes a florescer
tantos caminhos nunca trilhados...
Toda loucura é única e deve ser aprofundada,
toda loucura no fundo tem mais beleza do que muitos
sujeitos normais
que só dão nomes diferentes
a suas insanidades -
e eu não preciso de nomes desculpas taxações esteriótipos conclusões
dos outros
eu só preciso de alguém mais louco do que eu
pra me fazer me sentir menos isolada
no m² mental
do filme continuamente assistido
e que tem seu clímax
paradoxalmente
eternizado
no que chamo de minha vida.
- na imensidão de uma vida que sangra em si e pelo outro

domingo, 11 de outubro de 2015

32

Quero escrever a dor. Passá-la pro papel, eternizá-la nas linhas, na letra de mão que treme, de coração que geme. 
É estranho, quando aquilo que te mata te faz viver em outro dignificado. A falta do que comer te faz não sentir fome, falta do que beber te faz não sentir sede. A dor é tão forte que te faz não sentir nada. A falta de tudo te faz se suprir com o nada que te forma. Fui lâmpada que se quebrou em infinitos pedaços. Saí cortando quem estava por perto. Saí sujando de sangue as ruas, as roupas, as casas, os corredores esterilizados com doenças... Meu corpo, e tantos outros corpos que não sou dona, mas que fazem parte do que me constitui num silencio que me esmaga. Eu pedi por isso. Eu pra me baterem, me chutarem, me cortarem até ficar inconsciente. Eu pedi pra vida dar na minha cara, que sou menina que não teme, enquanto muitos reclamam porque geme, mais o que é importante é outro. E eu fui levada as pressas na ambulância para outro planeta. Outro planeta onde fui abençoada com 
visão.

31

Onde se perderam
os bordados
os artesanatos
os conhecimentos inatos
os amores sem assassinatos...?

As tintas pra fazer arte
o foguete pra fugir pra marte
outro espírito pra deixar o mundo aparte
outro corpo pra de mim fazer parte...?

terça-feira, 6 de outubro de 2015

30

POEMA TRINCADO -
cacos de vidro
pela narina,
copos de veneno
pela boca.
Tudo que entra,
sai.
preciso vomitar a vida.

29

Quando se alinham as diretrizes,
o que nos resta de mais sagrado
são as cicatrizes.
Aquelas que eu sempre verei 
ao olhar no espelho
quando for sair
pra me iludir de novo.
Sabe, projeto de poesia...
é que eu adoro o brilho da minha blusa azul
combinado com meu batom vermelho
fatal nº 7
combinado com meu perfume ops
de melão
combinado com meu short jeans
vulgar
combinado com minha sede
de embriaguez e cigarro e corpo e sexo
e peso
sempre que o sol nasce
eu adoro o brilho das minhas mentiras
combinadas com meu perfume de suor
com o jeans da minha pele
todo cheio de mancha
com minha sede de vampira.
Que me faz esquecer
durante a madrugada
a merda que eu faço
durante a madrugada.
Fazer o quê...
a insônia quebra as pedras dos meus rins.
só que as vezes
acontece de eu quebrar minha cabeça nas pedras.
Normal,
não se pode dizer que uma alcoólatra não tem histórias pra contar pros seus netos -
se ela conseguir segurar um bucho
se não morrer com uma cirrose
se conseguir viver por mais 9 meses.
por fim esse poema
que ficou uma bosta
mas que me representa
merece
não só palmas
mas o tocantins inteiro
de tão bom
que não ficou.
foda-se com muito carinho,
L.

28

a cura tá na doença que crio
em ruas esquisitas
em circulares lotados 
cheios de gentes suadas
multidões
que se esbarram
não se enxergam
muitas vezes se pegam
mas não se dão.
sigo com essas amizades
de se ver uma vez na vida
outra na morte
que é quando vivemos
quando nos comemos
vivas

todas afogadas
em mares
rios
sucos gástricos
sucos de limão
com cana
azeite na vida
pra parecer saudável 
vida apreciável 
aquela que não temos
a boemia
de dois mil e quinze
sofre alguns transtornos 
psíquicos
bipolaridade

pouco álcool pra muita cidade
pra muita praia bonita
que eu não vou
pra muito café elegante
que eu não pago
pra muito bar
que eu não tenho com quem beber
e a gente segue
nessa imensidão
de vários nadas
que somos nós
quando somos tudo.

na solidão cabe o mundo inteiro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

27

como membro
desse corpo
que somos [nós]
versifico
na ponta das veias
artérias que são o após
tomo gosto
nesse poço
de água
vários rios
enchentes
de mágoas
tudo é interno
e nisso a gente se constrói
abraço para sereia
para gata, para o santo,
para mãe
para o que ginga
e para a que rói

26

Existe amor(?)
existe necessidades(?)
existem os dois juntos(?)
e existe nenhum deles(?)
pra quê serve amor
se o toque se anula?
se o olhar perde a visão?
se a boca foge ao peito?
eu cresci assim
moça muito cedo
ninguém me ensinando a amar
mas experiências me ensinando a lamber
e daí ser puta?
facadas e facadas no céu da boca
nesse bocado
de fumaça que não me chapa
não atinge,
só tira a roupa e finge
o teatro que não foca no acadêmico
me enforca no eufêmico
para, miga
para de gostar do que é polêmico
que nada
eu sou o que apodrece enquanto ninguém tá vendo
o que apodrece quando sai da geladeira
o que não vinga
pega essa porra de moral e finca
no meu peito pra ver se entendo
mas a real, mamãe
é que não aprendo
não aprendo a ter mãe, irmão, amigo
não aprendo a namorar, essa porra é cheia de perdido
aprendi a dar
meu corpo tá na promoção, pode levar
sabe, não dói mais
não dói não ter
não compreender
não ser compreendida
limpa a comida entre os dentes que já tá apodrecida
limpa isso que fede
essa porra manchada que você chama de pele
afinal, o que é uma porra de buceta?
cu
poupe meu rosto dessas escarradas de urubu
poupe meu corpo desse pudor
poupe meu copo desse terror
já tive terror demais
os traumas, as psicoses
psiquiatra é o caralho
só quero terminar minha noite com mais umas doses
a questão é que
eu já admiti minha crença
já pari
minha doença
fazer o quê
se é só na rua que eu consigo enxergar algum porquê
é só nela que meu corpo não vê o que temer
no frevo?
eu danço
mergulho em suor -
eu encanto.
aprendi a ser sereia andando
pelos becos
buracos
ruas escuras
tocas
riachos escondidos -
praias desertas
peixes de fogo
bebidas que ardem
sentidos que fogem
no decorrer da viagem
eu caio do penhasco
mas aí eu aprendo a voar
e volto para cima de outro penhasco
maior ainda
eu sou o próprio asco
engulo o vômito mas sempre volto a enjoar
vejo mais uma vez carreiras em cima do prato
pior caninga
faço macumba, faço mandinga
já deixei meu corpo se molhar com muita língua
a gente prova tempero
com gente temperamental
a gente se permite na frente do espelho
voo de flor de sal
permite o toque
esquece aquilo de "não pode"
molha até dar choque
na transa a gente dá enfoque
só que depois, a gente não esquece
a memória que ao chegar logo aquece
tô precisando fazer uma prece
pra ver se a gente se acha ou se perde
um dia cru
lavanderia cru-el
uma noite de Florbela Espanca
só que "espanca a flor bela!!!"
uma madrugada doce
só cheia de alucinações
sou bichos
sou platônicas
sou vadias
diagnosticada com:
dor
e algumas heresias.

sábado, 15 de agosto de 2015

25

Escrevi esse poema (s)em 2 minutos
porque meu ônibus vai passar daqui a pouco
a eternidade dessa distância
me incomoda
duas inconstâncias
da mesma substância
que não abrem suas portas

24

Passei por becos
engoli a secos
e molhados
rostos queimados
de tantas balas perdidas 
em meio a mortos e matados
sinfonias
dos corações e pulmões ofegantes
pra subir ladeira
até o isqueiro a encostar
na ponta da fogueira
cada dia uma sentença
um sensacionalismo no jornal
ontem foi o dia do estupro -
carnificina que não é carnal
mas que pra muitos não é mais que normal.
anormal?
é eu ficar aqui falando besteira
pago menos nessa vida
porque já fiz minha carteira.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

23

Aquele caderno se movimentava sozinho

perdi -
ou ele que quis ir?

Era vermelho
cor da liquidez
que derramei quando pari -
a minha doença.

Já não é tão cedo assim,
mudar assim é perceber 
se amargura
faz parte ou não [...]
do que é ser.
sentir.
sem ti.
¿SERÁ QUE AMAR CURA MESMO?

segunda-feira, 13 de julho de 2015

22x

Te aceita como bicho
aprende como rastejar
no bueiro
ou no caminho sujo coberto de penar
de pensar
que fede
te aceita como metamorfose
te aceita nesse moinho com entrada
sem comida
só com ida

deixa a volta pro poema.

mas se voltar
toma um banho
esfrega os pés, cada ponta de coro
até o sangue cair
e toda a sujeira sumir
lava o cabelo, lava as tristezas
escova os dentes
tira a maquiagem do corpo
e vai deitar
úmida
de uma umidez sem perversão
pede pro céu te mandar um sonho bom
esquece o sexo
te encontra com teu corpo
deixa tua mãe fazer aquele velho cafuné
que te fazia dormir
quando você ia dormir com ela
quando tu não passava a noite na rua
em meio a becos
a drinks fortes
a fumaças que se dissipam com o vento
como tu aprendeu a se dissipar
assim numa eterna fuga
procurando preenchimento
mas se tornando cada vez mais vazia.
Chora menina!!!!!!!!!!!
Deixa vazar...
deixa limpar essa sujeira
que você se tornou
quando foi atrás da pedra
que te deixou com esse traumatismo
pra trás
não dá pra voltar atrás
não dá pra ficar sóbria de novo
não dá pra voltar pra cara
não dá pra limpar esses pulmões que já começaram
há muito
a apodrecer
Não deixa que pisem na tua ferida
para de rasgá-la com tuas próprias unhas
para de achar bonita
essa sua
fratura exposta
existem coisas
que não tu não deve achar bonitas
mesmo que elas te chamem
mesmo que elas te viciem
vamos menina,
não é bonito
colocar a corda no pescoço todas as noites
não é saudável
para de tentar se implacável
o mundo não se importa se você é forte ou fraca
sabe porque, porque
todos eles estão se matando também
tentando esterilizar seus corpos
com álcool
tentando curar suas mágoas
com risos exagerados
com disfarces sedutores
não se iluda,
meu bem
se você prestar atenção
os olhares
esses nunca
mentirão.

mergulha na tua tristeza
mas não se deixe afogar
compreenda as incertezas
e enxergue então dentro do mar.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

22

A bola do olho dói.
é necessário andar com os olhos fechados
mas aí é quando se vê melhor
por que na medida que o escuro 
é nutrido 
as relações de vitrine vão passando fome.
É com a respiração 
que enxergamos melhor

É quando o sangue escorre
pela perna
pelo olho
pelo poema

que se aprende a respirar dentro d'água
submerso dentro do rio de dentro
que não se faz mais cachoeira 
pelos olhos - olho de peixe.

aprende a ser fotografia. 
se eternizando 
no rio que sempre é outro. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

21

cada vez que sinto
nas quatro festas do ano
o gelo do teu corpo de aço
lembro que mesmo estando de passagem
a vida é curta demais pra ficar se dando em pedaços.

20

Sou um ser constantemente incendiado
e nessa quentura


ando por aí
às vezes paro
pra nadar no sal da minha vida
ensossa
mas logo volto
e fico por aí
queiman ando

19

é foda te tragar todo dia.
mas é mais foda ainda sentir a dependência quando não te trago mais
do lado esquerdo do peito murcho

18

As marcas que tu deixou em mim
abrem, sangram e se fecham
todas as noites.

E todas as noites
eu quero mais ainda
ficar doente
de você,

domingo, 21 de junho de 2015

17

Sou filha de Oxum
filha de Iemanjá
no meu peito bate todo o olodum
na minha mente ecoam as bençãos de Jah
do céu vem a chuva pra lavar
da terra brota gan(jah)
na minha alma pulsam xamãs
no meu ventre tem benção de Alá.

G R A T I D Ã O
independe de crença,
agradece não só pela saúde
mas também pela [doença].

16

Não tem um dia sequer que eu não fale de rap.
Poucos entendem -
ficar lombrado de realidade
vale mais do que mil beck.
E sim, foda-se
escrevo exatamente do jeito que falo
inteligência adquirida na rua
vale mais do que mil certificado.
E trago
comigo
muita fome do que não se come.
Fome de rimar
sinônimo de cuspida pingando na cara
de quem vê um irmão
dormindo no chão
e vira o olhar
só porque,
pasmem, meu bem
dentro da sua vidinha mansa
olhar aquilo não convém.

15

Somos líquidos
encharcados de complexidades
mandinga é saber
o tamanho da inundação
que nos cabe

14

Resumo minha existência
em ânsias
olhos famintos
hematomas
pulmões podres
e coisas ainda por dizer -
que também estão apodrecendo
dentro dos vários [nós] em mim
Essência
é um arame farpado
que me isola
de todas as outras coisas que não sou eu
ponta da faca que minha língua
afiada
lambeu
Mas senti numa lua dessas
um corte
que me sangra
até agora.
Mas digo logo a tudinho
um sonhozinho
que meu peito pouquinho
está prestes a parir -
Qualquer dia desses me leio
já me (li)berto
aí tomo um chá de consciência
pra ver
se me distancio
aqui bem perto.

13

Existe algo
apodrecendo
dentro do que eu chamo
de eu
Percebi
que todos somos
poemas
em processo de decomposição.
É meio triste
viver assim
apodrecidos
com peitos sufocados de ilusão.
Apodreço
porque sou feita de águas
de carne
pele, osso
e algumas mágoas.
o que você chupa pra viver
eu engulo sem mastigar
É tanta incerteza
que até dói
vomito pro mundo
uma escrita que corrói.
Desfalecência crua
mente cheia de talvez -
dou um trago amargo
boto meu casaco
acendo um cigarro
sinto uma brisa nova a cada passo
e saio por aí coberta de nudez.

12

CANSEI DE FALAR DE AMOR, CANSEI DE FALAR DE AMOR!
A realidade me consome Meu ar meio que some Não consigo respirar A realidade respira o meu ar É tão difícil falar A fala é esquartejada a pele é rasgada a mente é anulada A todo o resto Que é tudo. E nada. Cansei de falar de amor As coisas bonitas estão mortas E todos só se preocupam em trancar suas próprias portas, suas próprias portas suas próprias portas!!!
Ser humano é feito de dor
De egoísmo 
E rancor
CARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALHO MANO,
eu cansei de falar de amor.

11

Encontrei no chão da minha terra
mais um coração fora do peito.
A chuva inundou o ouvido do mundo
que ficou surdo
nu encontro seio no seio

Aquela velha desconfiança
do que pode acontecer
só aumenta a intensidade
do lamber morder comer

e ser,
à dois.

Faltou
foto
focando
o fato.
Merecia um olho molhando o lábio.

Mas dos olhos que abriam
e viam
depois fechavam,
e ainda assim olhavam
faltou acesso aos rios de dentro...

Aqueles que
quando evocados
trazem à tona dois poemas
molhados

Mas essa façanha
não é toda hora que me assanha...
Mesmo assim, vou rasgar!
beber dessa mistura de suor
saber outro corpo de cor
é vício melhor
que minha boe chamada cana.

10

Hoje acordei com uma rosa pra dar
mas antes de levantar
feri a rosa com os meus espinhos 
violei a minha própria intimidade
e estuprei 
o que restou 
dessa tal realidade.

9

À margem do que sou
existe o que escrevo
e ao me reescrever
percebo - 
minha poesia acidental 
está com fratura exposta

8

A tua luz me penetrou
entre rasgões e mordidas
teu coração partido virou minha
comida
teu fervor me tocou o seio
em meio a uma e outra
lambida

7

Criada nas ruas
comeu verdades nuas
e cruas
Em meio a fogos de artifício
calor de corpos
orifícios

Leminski 1

"eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito
eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões
em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar pra dois"

6

Como Leminski
carrego o peso da lua
e três paixões mal curadas
assim parada no tempo
dos olhos de um outro alguém
ferida até a última distância entre nossas bocas
sentindo teu hálito que não foi
procurando um par
um blues
ou aquelas velhas 21 gramas
que se foram na ocorrência de um
último
sus
piro
pirei
no verbo do acaso
metáfora vanguardista

5

Perdidos em textos remendados
poesia re-cortada
café de ontem
nosso suor tragado em panos baratos que cobrem um colchão qualquer fé que alimenta
acasos que sempre saciam nossa fome
de viver
e meu corpo junto ao teu
nesse enlaço de olhares que se reescrevem a cada flash
olhos nus olhos
nossa nudez retórica

You are my desert
meu amor com sabor de manga e fiapo entre os dentes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

4

Devo ter perdido meu nariz
dentro do teu cheiro
doce e salgado e agridoce e molhado
no nosso esconderijo de sabor
e ardor

eu e tu

e nossa dor

sábado, 31 de janeiro de 2015

3

meus pulmões não suportam mais
te tragar a todo instante
à espera do teu coração pulsante
meu câncer
terá teu nome.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

2

Hoje minha manhã acordou diferente. Uma fatia de mim está mais completa, assim mais inteira de si. Ou seria mais inteira de eu? É isso. Hoje acordei mais eu. Aquela parte de mim que sempre me renegou hoje levantou mais disposta a uma trégua. Hoje acordei com mais defeitos, com mais vontades, com mais vida para viver e gozos para prazer. Hoje acordei mais sereia. Mais menina. Mais erro. Mais doutrina. Hoje acordei mais tudo que me forma. Em mais pedaços. Mil novos fragmentos. Mil novas velhas vontades. Mil novos velhos sentimentos. Encharcada dos meus próprios universos paralelos. Acordei mais fuga, menos chegada e mais corrida. Colorida. Pintada em todas as minhas verdadeiras faces. Hoje acordei posando em todos os meus ângulos. Minha trigonometria hoje acordou completa. Satis-feito-coração. Não sei se me amo mais, se me amo menos. Não sei se me amo. O foco não é esse. O fato é que hoje acordei com minha existência transbordando.
Algo mudou.
Uma parte de mim intocável e inexplicavelmente

1

quero chupar
a pimenta dos teus olhos
e desaguar meu corpo
na poesia do teu colo