terça-feira, 6 de outubro de 2015

28

a cura tá na doença que crio
em ruas esquisitas
em circulares lotados 
cheios de gentes suadas
multidões
que se esbarram
não se enxergam
muitas vezes se pegam
mas não se dão.
sigo com essas amizades
de se ver uma vez na vida
outra na morte
que é quando vivemos
quando nos comemos
vivas

todas afogadas
em mares
rios
sucos gástricos
sucos de limão
com cana
azeite na vida
pra parecer saudável 
vida apreciável 
aquela que não temos
a boemia
de dois mil e quinze
sofre alguns transtornos 
psíquicos
bipolaridade

pouco álcool pra muita cidade
pra muita praia bonita
que eu não vou
pra muito café elegante
que eu não pago
pra muito bar
que eu não tenho com quem beber
e a gente segue
nessa imensidão
de vários nadas
que somos nós
quando somos tudo.

na solidão cabe o mundo inteiro.

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