terça-feira, 17 de novembro de 2015

34

Balanço minhas tranças
me deito na rede
peço um sossego -
abro minhas portas.
O que dói seca, 
como sertão.
A seca se instala
no que nos incha o ser -
nordestinos de fogo
madeirite rosa.
Pinto minhas paredes
dou um trato na casa
casa com cheiro de manga
manga madura quase podre
doce na boca,
escorre pelo canto da alma -
suculenta, 
essa vida sem fim
que anoitece sempre
sem fuga
sem direito a mão armada - 
o frevo se acalma...
tiro meu bloco de rua
me achego num cangote
num peito, 
num amor num filho num parto
no que daqui a pouco azedará
no que esquenta, derrete
fogão de lenha -
ilusão de sol ao meio-dia.

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